Anistia: Obstrução na Câmara dos Deputados sem data para acabar


Vladimir Chaves



Partidos que defendem a anistia aos presos e exilados políticos decidiram aplicar obstrução total aos trabalhos na Câmara dos Deputados até que o projeto da Anistia (PL 2858/22) seja pautado. O movimento, articulado pelo PL, conta com o apoio do PSD, PP e Novo e, ontem, resultou no encerramento da sessão com apenas uma votação.

A obstrução está amparada no regimento da Câmara, com o objetivo de impedir o prosseguimento dos trabalhos e ganhar tempo dentro de uma ação política. Os mecanismos mais utilizados são pronunciamentos, pedidos de adiamento da discussão e da votação e a saída do plenário para evitar quórum.

Ontem (2) o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), anunciou o cancelamento da reunião do colegiado para aderir à mobilização. Na terça-feira, 1º, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados também suspendeu os trabalhos. Além delas, as Comissões de Saúde (CSaúde), Turismo (CTur) e Relações Exteriores (CREDN) também devem cancelar suas reuniões. As três são presididas por parlamentares do PL.

A estratégia do líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, que encabeça o movimento, é pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta, para que ele dê andamento à proposta, preferencialmente na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Caso Motta decida encaminhar o projeto para uma comissão especial, o partido promete manter a obstrução.

O que diz o projeto de lei

A proposta, de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo, concede anistia a todos que tenham participado de manifestações em qualquer lugar do território nacional a partir de 30 de outubro de 2022. A ideia original era anistiar caminhoneiros que protestaram nas rodovias nacionais e em frente a unidades militares durante o período eleitoral. 

No entanto, como o texto do projeto estabelece que a data final da anistia será "até que a lei seja publicada", o principal alvo passou a ser os atos do dia 8 de janeiro de 2023, que resultaram na prisão de mais de milhares de brasileiros.

0 comentários:

Postar um comentário