“O Rei, respondendo, lhes
dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus
pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Mateus 25:40
Há uma expressão que aparece
com grande força nos ensinamentos de Jesus: “os pequeninos”. À primeira vista,
podemos pensar apenas nas crianças. E, de fato, em algumas passagens Jesus está
falando literalmente delas. Porém, quando observamos seus ensinamentos com
atenção, percebemos que o Senhor também chama de “pequeninos” aqueles que, aos
olhos da sociedade, parecem ter pouco valor: os necessitados, os frágeis, os
perseguidos, os que sofrem e até aqueles que são esquecidos pelos homens.
Jesus demonstra que, para
Deus, ninguém é pequeno demais para ser visto, amado e cuidado.
Jesus e as crianças: os
pequeninos que devem chegar até Ele
Em Mateus 19:13-15,
algumas pessoas levaram crianças a Jesus para que Ele lhes impusesse as mãos e
orasse por elas. Os discípulos, porém, tentaram impedir.
A resposta de Jesus foi
firme:
“Deixai os pequeninos, não
os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.” Mateus
19:14
Marcos registra: “Deixai vir
a mim as crianças, não as impeçais, porque dos tais é o reino de Deus.” Marcos
10:14
E Lucas também registra: “Deixai
vir a mim os meninos e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus.” Lucas
18:16
A atitude de Jesus revela
algo precioso: aqueles que muitos consideravam pequenos demais para receber
atenção eram importantes para Ele.
As crianças não tinham
posição social, autoridade ou influência. Não poderiam oferecer nada em troca.
Mesmo assim, Jesus as recebeu.
Ele não disse: “Quando
crescerem, venham a mim”.
Ele disse: “Deixai vir a mim
os pequeninos.”
Isso nos ensina que o valor
de uma pessoa diante de Deus não depende de sua idade, posição, tempo de
igreja, riqueza, conhecimento ou reconhecimento.
Os pequeninos também podem
ser os que precisam de cuidado
Em Mateus 25:31-46,
Jesus apresenta a cena do julgamento das nações e fala sobre aqueles que
estavam passando por necessidades.
Os que tinham fome e sede,
os estrangeiros que precisavam ser acolhidos, as pessoas sem roupas, os enfermos
e os presos.
Então o Rei diz aos justos: “Porque
tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro,
e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e
fostes visitar-me.” Mateus 25:3
Os justos ficam surpresos.
Eles perguntam quando fizeram essas coisas.
E o Rei responde: “Em
verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos
irmãos, a mim o fizestes.” Mateus 25:40
Aqui encontramos uma verdade
profunda: Jesus se identifica com aqueles que pertencem a Ele e estão passando
por necessidades.
O necessitado pode ser
ignorado pelos homens, mas não é ignorado por Deus.
E aquilo que fazemos por
esse “pequenino” é considerado por Cristo como algo feito a Ele.
Mateus 19 e Mateus 25: dois
sentidos que se complementam
Em Mateus 19, Jesus
está falando literalmente de crianças. Elas são apresentadas como exemplos
daqueles que recebem o Reino com humildade e dependência.
Em Mateus 25, o
contexto é diferente. Os “pequeninos irmãos” estão relacionados aos seguidores
de Cristo que enfrentam situações de necessidade, como fome, sede, falta de
roupas, doença, prisão, perseguição e outras aflições.
Portanto, não devemos
simplesmente dizer que “pequeninos” significa exatamente a mesma coisa nas duas
passagens.
O contexto mostra uma
diferença.
Mas existe também uma
preciosa ligação entre elas: Jesus valoriza aqueles que os homens tendem a
considerar pequenos.
Em Mateus 19, são
crianças.
Em Mateus 25, são
irmãos necessitados.
Em ambos os casos, Jesus
corrige uma tendência humana: desprezar aquilo que parece pequeno.
Deus olha para aquilo que os
homens não valorizam
A nossa sociedade que
costuma valorizar o grande.
Grandes templos, grandes
multidões, grandes pregadores, grandes ministérios, grandes projetos, grandes
resultados.
Mas Jesus chama nossa
atenção para coisas que aos nossos parecem pequenas.
Um copo de água, uma
refeição, uma roupa, uma visita, uma palavra de acolhimento, uma ajuda
oferecida no momento certo, um cuidado que ninguém viu.
Isso nos ensina que, no
Reino de Deus, a importância de uma obra não é determinada pelo tamanho que ela
possui aos olhos dos homens.
Uma pequena atitude de amor
pode ter grande significado diante de Deus.
O perigo de não perceber os
pequeninos
Existe também uma
advertência séria nesse ensino.
Os condenados não são
apresentados dizendo que fizeram grandes males contra Jesus. Eles deixaram de
fazer o bem quando tiveram oportunidade.
Viram pessoas com fome, mas
não deram alimento, pessoas com sede, mas não deram água, necessitados de
acolhimento, mas não acolheram, enfermos, mas não visitaram e presos que não
foram visitar.
Isso chama nossa atenção
para o pecado da omissão.
Às vezes pensamos que pecado
é somente aquilo que fazemos de errado.
Jesus também mostra a
gravidade daquilo que deixamos de fazer quando poderíamos fazer o bem.
O verdadeiro valor dos
pequeninos
Talvez alguém possa olhar
para uma criança e pensar: “Ela ainda não pode fazer muita coisa.”
Alguém pode olhar para um
irmão necessitado e pensar: “Ele não tem importância.”
Mas Jesus olha de maneira
diferente.
Quando fala das crianças,
Ele diz: “Dos tais é o reino dos céus.”
Quando fala dos
necessitados, Ele diz: “A mim o fizestes.”
Isso muda completamente
nossa maneira de enxergar as pessoas.
O mundo pergunta: “O que
essa pessoa pode fazer por mim?”
O discípulo de Cristo
precisa aprender a perguntar: “O que posso fazer por essa pessoa?”
O mundo procura os
importantes.
Jesus manda olhar para os
pequeninos.
O Reino não é conquistado
pelas boas obras
É necessário compreender
também um equilíbrio fundamental.
Jesus não está ensinando que
alguém compra a salvação através de boas obras.
A Bíblia afirma claramente: “Porque
pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
não de obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8-9
Entretanto, o versículo
seguinte completa o pensamento: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo
Jesus para boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios
2:10
As boas obras não são a
causa da nossa salvação; são fruto de uma vida alcançada pela graça.
Quem foi alcançado por
Cristo passa a olhar para as pessoas de maneira diferente.
Percebe quem está sofrendo, enxerga
quem precisa de ajuda, valoriza quem é ignorado, entende que servir ao próximo
também é uma forma de demonstrar amor a Cristo.
O dia em que tudo será
revelado
Mateus 25
também apresenta uma advertência sobre o juízo.
Enquanto vivemos neste
mundo, muitas coisas permanecem misturadas.
Jesus ensinou sobre o trigo
e o joio, sobre a separação dos justos e dos maus, sobre as virgens prudentes e
as insensatas, sobre o servo fiel e o servo infiel.
Por algum tempo, as pessoas
convivem lado a lado, mas chegará o momento da separação.
O julgamento de Deus
revelará aquilo que realmente estava no coração.
É significativo que Jesus
mencione atitudes tão simples.
Isso mostra que Deus não
observa apenas aquilo que fazemos diante das multidões. Ele também observa
aquilo que fazemos quando ninguém está olhando.
Uma visita, um copo de água,
uma refeição, uma roupa,um acolhimento, um gesto de misericórdia.
Coisas que talvez sejam
esquecidas por nós podem ser lembradas diante de Deus.
O pequenino que ninguém vê,
Deus vê
Há pessoas que nunca
aparecerão em uma lista de convidados, nunca terão seu nome em uma placa, nunca
serão famosas, nunca ocuparão o primeiro banco, nunca subirão num púlpito, nunca
serão reconhecidas dentro da própria congregação.
Mas isso não significa que
sejam invisíveis para Deus.
A Bíblia declara que Deus
tem especial cuidado com os necessitados e exige que seu povo também tenha esse
cuidado.
“Todos os meus ossos dirão:
Senhor, quem contigo se assemelha? Pois livras o aflito daquele que é demais
forte para ele?” Salmo 35:10
E Paulo orienta: “Por isso,
enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos
da família da fé” Gálatas 6:10
O céu conhece aqueles que a
terra não conhece.
Há pequeninos que precisam
chegar a Jesus
Existe ainda uma
responsabilidade especial da Igreja.
Jesus disse: “Deixai vir a
mim os pequeninos.”
Portanto, não devemos criar
obstáculos para que as pessoas se aproximem de Cristo.
Isso inclui as crianças, mas
também alcança o princípio mais amplo de acolher os humildes, os necessitados,
os frágeis e os que procuram o Senhor.
A Igreja não pode ser um
lugar onde somente os fortes encontram espaço.
Ela deve ser um lugar onde o
cansado encontra descanso, o ferido encontra cuidado, o necessitado encontra
auxílio e o pecador encontra a mensagem da graça.
Jesus não afastava os
pequenos, Jesus os chamava para perto.

