Deus não se engana com aparências


Vladimir Chaves

É possível crer em Deus e, ainda assim, viver distante da sua vontade. A própria Escritura afirma que até os demônios creem; e isso, por si só, não os transforma (Tiago 2.19). A fé verdadeira não se limita ao que a boca confessa; ela se revela no modo como se vive. Crer não basta. É a obediência que expõe quem, de fato, pertence a Deus.

De pouco adianta uma fé eloquente nas palavras quando as ações a contradizem. Jesus denunciou esse tipo de religiosidade: lábios que honram, mas corações distantes (Mateus 15.8). O cristianismo não é um discurso bem ensaiado; é uma vida alinhada. Ser cristão não é apenas acreditar que Deus existe, é viver sob o seu governo (Lucas 6.46). Chamar Deus de “Senhor” sem obedecer é sustentar uma fé vazia, sem raízes e sem fruto.

Obedecer confronta. Dói. Exige renúncias. Seguir a Cristo implica negar a si mesmo, tomar a cruz diariamente e caminhar após Ele (Lucas 9.23). Por isso, a Palavra nos chama a não sermos apenas ouvintes, mas praticantes; porque ouvir sem obedecer é enganar a si mesmo (Tiago 1.22).

Podemos até esconder dos homens, mas nunca de Deus. Quantos levantam as mãos no culto, enquanto carregam correntes no coração? Quantos pregam santidade em público, mas alimentam pecados secretos na mente? O pecado tolerado em silêncio se torna o carrasco que destrói, pouco a pouco, a comunhão com Deus.

Este é um chamado à luta mais difícil: matar o pecado antes que ele mate você. Não se trata de perfeição, mas de arrependimento sincero, vigilância constante e obediência diária. A fé que salva é a fé que se submete. A vida que glorifica a Deus é a vida que, mesmo custando, escolhe obedecer.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

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Evangelho de Mateus 6:22 – Um olhar que ilumina


Vladimir Chaves

“A lâmpada do corpo são os olhos; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.”  Mateus 6:22

Jesus diz que os olhos são a lâmpada do corpo. Com isso, Ele nos convida a pensar não apenas no que vemos, mas em como vemos. O olhar, aqui, representa o foco do coração, aquilo que orienta nossas escolhas, desejos e caminhos.

Quando o olhar é bom, simples e íntegro, a vida ganha clareza. As decisões se tornam mais firmes, os passos mais seguros e o coração menos dividido. Não significa ausência de problemas, mas presença de direção. A luz interior não vem das circunstâncias, mas do foco correto.

Por outro lado, quando o olhar está preso à cobiça, à comparação ou ao apego excessivo às coisas deste mundo, a visão se torna confusa. A pessoa passa a caminhar sem clareza espiritual, mesmo achando que enxerga bem. A luz se enfraquece porque o coração perdeu o centro.

Jesus ensina que não é possível viver bem com um olhar dividido. Aquilo que domina nossa atenção acaba governando nossa vida. Onde fixamos os olhos, ali colocamos também o coração.

Ter “olhos bons” é escolher enxergar a vida a partir de Deus, confiar mais em sua vontade do que em nossos próprios interesses e permitir que Ele seja o critério das nossas decisões. Quando isso acontece, a luz se espalha por todo o ser, trazendo paz, discernimento e propósito.

Que o nosso pedido diário seja este: Senhor, ajusta o meu olhar, para que a tua luz conduza todo o meu caminho.

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De Adão a Cristo: O caminho da nova natureza


Vladimir Chaves

O novo nascimento não pode ser reduzido a um simples recomeço moral, como se fosse apenas o apagamento da culpa do passado. Embora o perdão dos pecados seja uma realidade gloriosa, a essência do novo nascimento é mais profunda: trata-se do recebimento de uma nova natureza. A Escritura afirma que Deus, “segundo o seu querer, nos gerou pela Palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg 1.18). Ser gerado por Deus implica origem, vida e identidade novas, provenientes não da vontade humana, mas da ação soberana do Criador.

Quando Jesus declara a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3), Ele não fala de uma reforma exterior, mas de uma transformação interior radical. O próprio Cristo esclarece que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Aqui se estabelece uma distinção clara entre duas naturezas: a natural, herdada de Adão, e a espiritual, concedida por Deus no novo nascimento.

Paulo aprofunda essa verdade ao afirmar: “O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, porém, é espírito vivificante” (1Co 15.45). O primeiro Adão recebeu vida; o último Adão, Cristo, comunica vida. Tudo o que existe foi criado por meio d’Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez (Jo 1.3). Assim, Aquele que participou da criação também é o agente da nova criação. Cristo vem cumprir o propósito que Adão não conseguiu levar adiante: viver em perfeita comunhão com Deus, em santidade e obediência plena.

Jesus não apenas veio perdoar, mas gerar filhos semelhantes a Ele. A essência do evangelho é a reprodução da imagem de Cristo nos que creem. Por isso, a Escritura afirma que Deus “aos que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). O alvo do novo nascimento não é apenas livrar o homem da condenação, mas conduzi-lo à conformidade com Cristo, restaurando nele o propósito original de Deus.

Essa nova vida se expressa de maneira prática. “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1Jo 2.6). Não se trata de imitação superficial, mas de uma vida moldada pelo caráter de Cristo. Paulo reforça esse princípio ao dizer: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1), e exorta os crentes a terem “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). A nova natureza se manifesta em novos desejos, novas prioridades e uma nova maneira de viver.

Entretanto, é fundamental compreender que o novo nascimento não elimina automaticamente a velha natureza. A natureza pecaminosa da carne permanece presente enquanto vivemos neste corpo. Por isso, muitos que duvidam da autenticidade de sua experiência espiritual acabam se confundindo ao perceberem lutas internas e inclinações antigas. O problema não está na inexistência da nova natureza, mas no conflito entre o que é da carne e o que é do Espírito.

O novo nascimento não apaga a velha natureza, mas introduz uma nova realidade espiritual que agora governa a vida daquele que se rende ao Espírito Santo. A vitória cristã não consiste na ausência de conflitos, mas em aprender a viver segundo a nova natureza recebida em Cristo. Assim, o crente é chamado diariamente a negar a carne e a permitir que a vida de Cristo se manifeste nele, até que a imagem do Filho seja plenamente formada.

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Os sinais visíveis de quem nasceu em Cristo


Vladimir Chaves

O novo nascimento em Cristo não é um conceito abstrato nem uma experiência meramente emocional. Ele se revela por sinais claros e transformadores que atingem a mente, o coração e a maneira de viver. Entre esses sinais, destacam-se a justificação pela fé, a vida de santificação e a manifestação do Fruto do Espírito.

O primeiro grande sinal do nascimento em Cristo é a justificação pela fé. Ao crer em Jesus Cristo, o pecador não apenas recebe perdão, mas é declarado justo diante de Deus. Essa justiça não nasce do esforço humano, nem do cumprimento de obras religiosas, mas da obra perfeita realizada no Calvário. A fé, portanto, não é um mérito, mas a resposta humilde à graça divina. Quando alguém é justificado, sua relação com Deus é restaurada: a culpa é removida, a condenação é anulada e a paz com Deus passa a governar o coração. Essa nova posição espiritual também resulta na adoção como filho, trazendo segurança, identidade e comunhão com o Pai.

Entretanto, a justificação não encerra a obra de Deus na vida do crente; ela inaugura uma nova caminhada. Surge, então, a vida de santificação, que é o segundo sinal do novo nascimento. Santificar-se não significa alcançar perfeição imediata, mas viver em um processo contínuo de transformação. Aquele que foi regenerado passa a se afastar do pecado e a buscar uma vida de obediência, guiada pelo Espírito. Essa mudança é visível na forma de pensar, agir e reagir. A santificação revela que a fé é viva, pois conduz o crente a uma vida coerente com o caráter de Cristo, marcada pela renúncia ao velho homem e pelo crescimento em maturidade espiritual.

Outro sinal essencial da regeneração é a manifestação do Fruto do Espírito. Diferente dos dons espirituais, que variam conforme o propósito de Deus, o fruto diz respeito ao caráter. Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança não são virtudes naturais do ser humano caído, mas evidências da nova vida concedida pelo Espírito Santo. Onde antes havia domínio da carne, agora há sinais claros da presença de Deus no cotidiano. O fruto do Espírito não aparece de forma ocasional, mas como uma marca constante da vida transformada, refletindo, ainda que de maneira imperfeita, o caráter de Cristo.

Esses três sinais (justificação pela fé, santificação contínua e fruto do Espírito) não caminham separados. Eles se complementam e confirmam a autenticidade do novo nascimento. A regeneração é, em essência, uma obra trinitária, realizada pelo Espírito Santo, que concede nova vida, nova natureza e nova direção ao ser humano. Não se trata de um esforço humano, mas de uma intervenção divina profunda.

Diante disso, o desafio do crente é permitir que essa obra se manifeste de forma crescente. Nascer do alto implica viver de modo diferente, deixando-se conduzir diariamente pelo Espírito. Assim, a fé deixa de ser apenas confessada e passa a ser visível, revelando, na prática, a natureza divina recebida no Novo Nascimento.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

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Removendo o que nos afasta de Deus


Vladimir Chaves


Em Mateus 18:8–9 Jesus ensina que, se algo em nossa vida nos leva ao pecado, é melhor renunciar a isso do que perder a vida eterna.

No Evangelho de Mateus, Jesus usa palavras fortes para despertar a consciência. Ele fala de mão, pé e olho como coisas que podem nos levar a tropeçar. Não está falando do corpo em si, mas daquilo que comanda nossas ações, caminhos e desejos.

O ensino é claro: o pecado nunca é algo pequeno. Às vezes tentamos conviver com ele, justificá-lo ou adiá-lo, mas Jesus mostra que o pecado sempre cobra um preço alto. Por isso, Ele nos chama a uma decisão corajosa: afastar de nossa vida tudo aquilo que nos afasta de Deus, mesmo que isso doa ou pareça difícil.

“Cortar” não significa destruir a si mesmo, mas romper com hábitos, atitudes, escolhas ou relacionamentos que nos afastam da vontade do Senhor. É um chamado à responsabilidade pessoal. Cada um precisa olhar para dentro de si e perguntar: o que tem me feito tropeçar espiritualmente?

Jesus também nos ensina a valorizar a eternidade acima do imediato. Muitas vezes o que precisamos deixar para trás parece importante agora, mas não terá valor algum diante da vida eterna que Deus oferece. Seguir Cristo envolve renúncia, mas essa renúncia produz liberdade, cura e vida verdadeira.

Esse texto nos convida a refletir com sinceridade: O que precisa ser removido da minha vida para que eu caminhe mais perto de Deus?

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Uma transformação que a religião não pode produzir


Vladimir Chaves

A regeneração espiritual não é um ajuste exterior nem um simples esforço para se tornar alguém melhor. Trata-se de uma obra profunda, invisível aos olhos humanos, mas transformadora em sua essência. É uma mudança que acontece no interior do ser, alcançando o coração, a mente e o rumo da vida.

Quando Nicodemos procurou Jesus, revelou uma dificuldade comum a muitos religiosos: compreender as realidades espirituais apenas a partir de categorias naturais. Ao perguntar: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (João 3.4), ele demonstrou estar preso aos limites da lógica humana. Sua compreensão ainda girava em torno do mérito, do esforço pessoal e do cumprimento de normas, como se a entrada no Reino de Deus fosse resultado de obras ou desempenho religioso. Contudo, a justiça de Deus não nasce daquilo que o homem faz, mas daquilo que Deus opera no homem (Romanos 10.3).

Diante disso, Jesus apresenta algo novo: não um aperfeiçoamento moral, mas um novo nascimento. Essa transformação não procede da carne, da religião ou da tradição, mas do Espírito. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3.6). Fica claro, portanto, que a vida espiritual não pode ser gerada por meios humanos. A carne pode até produzir uma aparência de piedade, mas jamais vida espiritual verdadeira.

A regeneração é uma obra soberana do Espírito Santo. Ao afirmar que é necessário nascer “da água e do Espírito” (João 3.5), Jesus aponta para uma purificação interior e uma renovação profunda do ser. Assim como o vento sopra onde quer, o Espírito age livremente, sem se submeter a esquemas humanos ou controles religiosos (João 3.8). É Deus quem concede vida espiritual, iluminando o interior do homem e criando algo inteiramente novo (2 Coríntios 5.17).

Quando essa obra acontece, seus efeitos tornam-se visíveis. Surge uma nova vida, acompanhada por uma nova conduta. Quem nasce do Espírito passa a viver segundo uma nova natureza, com novos desejos, nova mentalidade e novos frutos. A antiga vida dominada pela carne dá lugar a uma caminhada marcada pelo fruto do Espírito, pela obediência a Cristo, pelo amor sincero e pelo prazer na Palavra de Deus (Gálatas 5.22; Efésios 4.23).

Assim, a regeneração não é apenas o início da fé cristã, mas o fundamento de toda a vida cristã. Ela confirma que o verdadeiro cristianismo não começa no exterior, mas no coração; não depende do esforço humano, mas da graça divina; e não produz apenas mudança de comportamento, mas uma transformação de dentro para fora, operada pelo Espírito Santo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

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Mateus, Marcos, Lucas e João: Um retrato completo de Cristo


Vladimir Chaves

A Bíblia apresenta quatro evangelhos porque Deus quis que conhecêssemos Jesus de maneira clara, profunda e completa. Cada evangelho conta a mesma história (a vida, a morte e a ressurreição de Cristo), mas a partir de olhares diferentes, que se complementam.

Imagine quatro pessoas observando o mesmo acontecimento importante. Todas falam da mesma verdade, mas cada uma percebe detalhes distintos. Assim são os evangelhos: não competem entre si, caminham juntos.

O Evangelho de Mateus mostra Jesus como o Messias prometido. Ele conversa diretamente com o coração do povo judeu, ligando a vida de Cristo às antigas promessas de Deus. Ao lê-lo, entendemos que Jesus não surgiu por acaso, mas faz parte de um plano eterno.

O Evangelho de Marcos apresenta um Jesus ativo, que age, cura, liberta e serve. É um relato direto, que nos lembra que a fé cristã não é apenas palavras, mas ação, entrega e serviço.

O Evangelho de Lucas revela a compaixão de Cristo. Nele vemos um Salvador próximo das pessoas comuns, atento aos que sofrem, aos esquecidos e aos marginalizados. Lucas nos ensina que o amor de Deus alcança todos, sem exceção.

Já o Evangelho de João nos leva a refletir sobre quem Jesus é em sua essência. Ele apresenta Cristo como o Filho de Deus eterno, a luz que veio ao mundo para transformar vidas. João nos convida a crer, mais do que apenas conhecer fatos.

Deus poderia ter deixado apenas um evangelho, mas escolheu quatro para que ninguém tivesse uma visão limitada de Jesus. Assim, aprendemos que Cristo é ao mesmo tempo Rei, Servo, Salvador e Filho de Deus.

Os quatro evangelhos nos ensinam que a fé cristã não é rasa nem incompleta. Ela é rica, profunda e viva. Quanto mais lemos, mais compreendemos que um único Jesus pode ser revelado de muitas formas; todas verdadeiras, todas necessárias.

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Septuaginta: a ponte entre Israel e as nações


Vladimir Chaves

A Septuaginta, conhecida também como LXX, é a tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego. Ela surgiu em um período em que muitos judeus já viviam fora de Israel e não falavam mais hebraico com facilidade. O grego havia se tornado a língua comum do mundo mediterrâneo, e essa tradução permitiu que a Palavra de Deus continuasse sendo lida, ouvida e compreendida pelo povo. Segundo a tradição, setenta sábios judeus participaram desse trabalho, o que deu origem ao nome Septuaginta, que significa “setenta”.

Essa tradução teve um papel fundamental na história da fé, pois foi a Bíblia mais utilizada no tempo de Jesus e dos primeiros cristãos. Muitas citações do Antigo Testamento presentes no Novo Testamento seguem exatamente o texto da Septuaginta, mostrando como ela era aceita e respeitada. Além disso, a Septuaginta preservou livros que ajudam a compreender o período entre o Antigo e o Novo Testamento, como Macabeus, oferecendo um rico contexto histórico e espiritual.

A importância da Septuaginta vai além da tradução de palavras. Ela revela um Deus que se preocupa em ser entendido, que permite que sua mensagem atravesse línguas, culturas e fronteiras. Ao falar em grego, Deus mostrou que sua Palavra não pertence a um único povo, mas é destinada a todos. A Septuaginta nos convida a refletir que a fé verdadeira não se fecha, mas se comunica, se traduz e alcança o coração das pessoas onde elas estão.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

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O Reino de Deus e o chamado ao novo nascimento


Vladimir Chaves

“Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”  (João 3:3)

No Evangelho de João, capítulo 3, encontramos um encontro marcante entre Jesus Cristo e Nicodemos, um homem religioso, respeitado e conhecedor das Escrituras. Nicodemos procura Jesus à noite, talvez por cautela, talvez por inquietação interior. Apesar de sua posição e conhecimento, ele sentia que ainda faltava algo. É nesse contexto que Jesus declara: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”

Essa afirmação quebra expectativas. Nicodemos acreditava que sua religiosidade, sua moral e sua herança espiritual eram suficientes. Mas Jesus vai além das aparências e toca no coração do problema: não se trata apenas de seguir regras ou pertencer a um povo religioso, mas de experimentar uma transformação profunda, interior, que só Deus pode realizar.

“Nascer de novo” não significa começar outra vida do ponto de vista físico, nem adotar uma nova prática religiosa externa. Significa receber uma nova vida espiritual. É quando Deus age no interior do ser humano, mudando sua forma de pensar, sentir e viver. É uma mudança que começa no coração e se reflete nas atitudes.

Quando Jesus diz que sem esse novo nascimento ninguém pode “ver” o Reino de Deus, Ele está dizendo que, sem essa transformação, a pessoa não consegue compreender nem viver os valores do Reino. O Reino de Deus não é apenas um lugar futuro, mas uma realidade presente que se manifesta em uma vida restaurada, guiada pela vontade de Deus.

Esse diálogo nos ensina que não importa quão correta ou religiosa uma pessoa pareça aos olhos humanos. Todos precisam do novo nascimento. Diante de Deus, ninguém é salvo por méritos próprios, mas pela ação transformadora que Ele realiza naqueles que creem.

João 3:3 nos convida a uma reflexão sincera: nossa fé é apenas tradição e costume, ou é resultado de um encontro verdadeiro com Deus que mudou nosso interior? O novo nascimento não é um evento superficial; é o começo de uma vida totalmente nova, vivida à luz do Reino de Deus.

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As sete armas espirituais para permanecer de pé


Vladimir Chaves


A Bíblia nos ensina que a vida cristã envolve batalhas espirituais reais, travadas não com armas humanas, mas com recursos que vêm do próprio Deus.

As batalhas espirituais não são vencidas pela força humana, mas pela dependência de Deus. Silêncio, oração, fé, obediência, Palavra, adoração e humildade formam um arsenal espiritual completo. Quem aprende a usar essas armas caminha com mais paz, discernimento e vitória, mesmo em meio às lutas.

O silêncio

O silêncio não é ausência de fé, mas expressão de confiança. Em muitos momentos, Deus nos chama a silenciar a alma, a calar a murmuração e a descansar n’Ele. O silêncio nos livra de palavras impensadas e nos ensina a esperar.

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.” (Salmos 46:10)

Quando nos calamos diante de Deus, permitimos que Ele lute por nós.

A oração sincera

A oração é o canal direto entre o coração humano e o trono divino. Não se trata de palavras bonitas, mas de verdade diante de Deus. A oração sincera move o céu e fortalece o espírito.

“A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5:16)

Quem ora não enfrenta as batalhas sozinho.

A fé

A fé é a certeza de que Deus está agindo, mesmo quando os olhos não veem. Ela nos permite avançar apesar do medo e permanecer firmes em meio às lutas.

“Porque andamos por fé, e não por vista.” (2 Coríntios 5:7)

A fé transforma fraqueza em força e temor em esperança.

A obediência

Obedecer a Deus é alinhar-se à Sua vontade. A obediência fecha brechas espirituais e abre caminhos de proteção e vitória.

“Se quiserdes e obedecerdes, comereis o melhor desta terra.” (Isaías 1:19)

Muitas batalhas são vencidas antes mesmo de começarem, pela obediência.

A Palavra de Deus

A Palavra é espada espiritual, luz no caminho e verdade que liberta. Conhecê-la e praticá-la fortalece o cristão contra enganos e ataques espirituais.

“Tomai… a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” (Efésios 6:17)

Quem guarda a Palavra, anda protegido pela verdade.

A adoração

Adorar é reconhecer quem Deus é, acima das circunstâncias. A adoração muda o ambiente espiritual e renova o coração abatido.

“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:24)

Quando adoramos, o foco sai da batalha e se volta para o Deus da vitória.

O coração humilde

A humildade nos mantém dependentes de Deus. Um coração humilde reconhece limites, aprende, se arrepende e recebe graça.

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” (Provérbios 3:34)

A humildade é um escudo poderoso contra o orgulho, que derruba muitos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

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