Quando o pastor deixa de
conduzir as ovelhas a Cristo e começa a exigir que as ovelhas se submetam a ele
“Antes, importa obedecer a
Deus do que aos homens.” Atos 5:29
A autoridade pastoral é
bíblica. A dominação espiritual, não.
Deus estabeleceu líderes
para cuidar do seu povo, ensinar a Palavra, proteger o rebanho e conduzir os
cristãos ao amadurecimento espiritual. Porém, quando o líder deixa de ser servo
e passa a exigir submissão pessoal, quando o púlpito se transforma em instrumento
de autopromoção, quando discordar do pastor passa a ser tratado como rebelião
contra Deus e quando pessoas são expulsas simplesmente porque não se submetem
aos caprichos da liderança, estamos diante de uma grave distorção da autoridade
espiritual.
O pastor foi chamado para
servir ao rebanho, não para ser servido pelo rebanho.
Pedro foi muito claro: “Nem
como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos para
o rebanho” 1 Pedro 5:3
A expressão é contundente: “nem
como dominadores”.
O pastor não recebe das
Escrituras autorização para controlar consciências, intimidar membros ou exigir
uma lealdade que ultrapasse a lealdade a Cristo.
Quando isso acontece, a
autoridade deixa de ser pastoral e começa a se transformar em dominação
espiritual.
E onde existe dominação,
frequentemente aparece o medo.
Medo de questionar.
Medo de discordar.
Medo de interpretar a Bíblia
de maneira diferente.
Medo de perder amizades.
Medo de ser exposto no
púlpito.
Medo de ser chamado de
rebelde.
Medo de ser expulso.
Uma igreja pode estar cheia
de pessoas aparentemente obedientes e, ainda assim, estar espiritualmente
doente.
Porque silêncio não é
necessariamente submissão a Deus.
Às vezes, é apenas medo de
um homem.
Jesus, porém, não morreu na
cruz para substituir a escravidão do pecado pela escravidão psicológica a
líderes religiosos.
“E conhecereis a verdade, e
a verdade vos libertará.” João 8:32
A verdade liberta inclusive
da manipulação religiosa.
O cristão deve respeitar seu
pastor, mas não pode colocar o pastor acima da Palavra.
Pode ouvir o pastor, mas
precisa examinar aquilo que ele ensina.
Pode reconhecer sua
liderança, mas jamais deve entregar a ele a própria consciência.
Os bereanos foram
considerados nobres justamente porque examinavam as Escrituras para verificar
se aquilo que Paulo ensinava era verdadeiro: “Examinando as Escrituras todos os
dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” Atos 17:11
Se os bereanos examinaram
até mesmo o ensino de Paulo, por que um pastor moderno exigiria que ninguém
examinasse suas palavras?
Quem realmente confia na
verdade não tem medo de ser examinado pela Palavra.
O problema começa quando o
líder precisa impedir o exame.
Quando precisa desqualificar
quem pergunta.
Quando chama de rebelde
aquele que pensa.
Quando usa versículos
isolados para silenciar seus críticos.
Quando transforma sua
opinião pessoal em “revelação”.
Quando utiliza o púlpito
para atacar pessoas que não podem responder.
Quando cria uma cultura na
qual ele sempre está certo e os demais sempre estão errados.
Isso não é maturidade
espiritual.
É culto à personalidade
religiosa.
Paulo declarou: “Porque não nos
pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor.” 2 Coríntios 4:5
Essa deveria ser a regra de
ouro de todo púlpito:
Não pregar a si mesmo.
Não promover a si mesmo.
Não glorificar a si mesmo.
Não exigir reverência para
si mesmo.
Mas anunciar Cristo.
O púlpito não é um trono.
É um lugar de serviço.
O pastor não é o dono da
igreja.
Jesus disse: “Edificarei a
minha igreja.” Mateus 16:18
“Minha igreja.”
A igreja pertence a Cristo.
As ovelhas pertencem a
Cristo.
O rebanho pertence a Cristo.
E só Cristo tem autoridade
para julgar seu rebanho
E o pastor é apenas um
administrador daquilo que pertence ao Senhor.
Por isso, quando um líder
passa a agir como proprietário da igreja, ele está ultrapassando os limites de
sua função.
E quando exige uma
reverência que pertence somente a Deus, o problema se torna ainda mais grave.
Jesus ensinou: “Ao Senhor,
teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” Mateus 4:10
Pastor não é objeto de
adoração.
Pastor não é mediador
absoluto entre Deus e os homens.
Pastor não é infalível.
Pastor não está acima das
Escrituras.
Pastor não é o senhor da
consciência dos fiéis.
Cristo é o Senhor.
E quando existe conflito
entre aquilo que um líder determina e aquilo que Deus estabeleceu, a resposta
dos apóstolos permanece atual:
“Antes, importa obedecer a
Deus do que aos homens.” Atos 5:29
Essa frase deveria ser
suficiente para destruir qualquer pretensão de autoridade absoluta dentro da
igreja.
O verdadeiro pastor não teme
perder o controle
Um pastor verdadeiramente
comprometido com Cristo não precisa manter as pessoas presas pelo medo.
Ele ensina.
Ele orienta.
Ele aconselha.
Ele corrige com mansidão.
Ele aceita ser questionado.
Ele reconhece quando erra.
Ele conduz as pessoas às
Escrituras.
E, acima de tudo, ele aponta
para Cristo.
João Batista compreendeu
perfeitamente sua missão: “Convém que ele cresça e que eu diminua.” João
3:30
Essa deveria ser a oração
silenciosa de todo verdadeiro pastor: “Senhor, que as pessoas não dependam
de mim. Que elas dependam apenas de Ti.”
O líder narcisista, porém,
deseja o contrário.
Ele precisa ser lembrado.
Precisa ser elogiado.
Precisa ser obedecido.
Precisa ser reverenciado.
Precisa ser defendido.
Precisa controlar.
E quando alguém deixa de
alimentar seu ego, transforma o discordante em inimigo.
Mas o Evangelho não chama o
pastor para construir um império pessoal.
Chama-o para cuidar das
ovelhas de Cristo.
E um dia, todos os líderes
terão de prestar contas ao verdadeiro Pastor: “Ora, logo que o Supremo
Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” 1 Pedro 5:4
Portanto, a pergunta não é
simplesmente:
“O pastor tem autoridade?”
Sim, tem.
A pergunta correta é:
“Como ele está usando a
autoridade que recebeu?”
Para servir ou para dominar?
Para ensinar ou para
manipular?
Para aproximar as pessoas de
Cristo ou para torná-las dependentes dele?
Para proteger o rebanho ou
para proteger o próprio ego?
Para glorificar Jesus ou
para construir sua própria imagem?
Porque existe uma diferença
gigantesca entre autoridade espiritual e autoritarismo religioso.
A primeira serve.
A segunda controla.
A primeira aponta para
Cristo.
A segunda aponta para o
líder.
A primeira produz
maturidade.
A segunda produz
dependência.
A primeira conduz pela
verdade.
A segunda governa pelo medo.
E onde Cristo é
verdadeiramente o centro, nenhum homem precisa ocupar o lugar que pertence
somente a Ele.
A graça do Senhor Jesus seja
com todos.